A vacina em Mossoró e o recuo da pandemia

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O mês de julho começou com uma grande notícia. O RN registrava mais uma queda na taxa de ocupação de leitos de UTI Covid. Este índice foi inferior aos 70%, que serviu de padrão no ano passado para as medidas de isolamento, o que não se via desde o início do ano. Ou melhor, 68,9%, o menor percentual desde 6 de fevereiro. Estamos, enfim, diante de panorama favorável nesta pandemia terrível e já é possível vislumbrar a volta à normalidade. Claro o quadro é de arrefecimento, não de desleixo.

Nada de cloroquina ou de ivermectina, medicamentos ineficazes para o tratamento da Covid tão difundidos como atos de charlatanismo. Não foram estes os responsáveis pela queda no número de ocupação de leitos. Inclusive, foi emocionante ver as imagens do setor de UTIs Covid do Hospital Wilson Rosado ser “desativado” e a equipe técnica comemorando como se fosse mais um paciente recebendo alta. Fator de guinada na pandemia, as boas notícias começaram a emergir quando a vacina começou a chegar nos braços dos potiguares e dos mossoroenses.

O mês começou também com outra boa notícia. Mais de 150 mil pessoas receberam vacina em Mossoró. Pelo menos, a primeira dose, o que já garante, parcialmente, a proteção. Está aí a razão que desafogou os hospitais e reduziu fortemente os casos de mortes que, de tão rotineiras, angustiavam a todos nas redes sociais. A campanha de imunização, organizada pela Prefeitura de Mossoró e denominada de “Mossoró Vacina”, tem sido exemplar e muito bem sucedida. No último final de semana de junho, a cidade recebeu 9 mil doses, que foram totalmente aplicadas em três dias. Agilidade no processo que se soma à solidariedade conectada à outra campanha: a Vacina Solidária, que já garantiu mais de dez toneladas de alimentos distribuídos.

Estamos, portanto, diante de um momento especial. Quem recebeu o seu imunizante, sinta-se privilegiado por viver, de ser recompensado por suportar até aqui todas as animosidades geradas por esta doença. A perda de tantos conterrâneos (mais de 6,5 mil no RN) não deve ser esquecida. Devem ocupar memorial de eterno respeito em meio a tanto descalabro na condução da pandemia no Brasil.

O momento não significa que a pandemia passou. Trata-se de boas notícias que sugerem o aprofundamento na luta contra a Covid. Os sinais de recuo não são sentidos apenas a olho nu. Os levantamentos científicos apontam para isso. Pela segunda semana seguida, o Indicador Composto não registrou nenhum município no Escore 5, o mais alto na escala de monitoramento da doença. O boletim mais recente, de 21 de junho, destacou que apenas 14,4% dos municípios estavam na faixa de alto ou risco extremo, enquanto quase 40% se situavam nos escores 1 e 2, de risco baixo ou moderado, segundo estudo da UFRN divulgado no mês passado.

“Se chegarem 20 mil vacinas hoje a gente aplica, porque temos uma estrutura montada que nos permite que isso aconteça” Prefeito Allyson Bezerra

“Melhoramos o quadro da pandemia no Estado porque estamos acelerando o processo de imunização. Realizamos Dias D e mutirões para as grávidas e puérperas, os agentes da segurança, e vamos avançar na imunização dos trabalhadores da Educação. A vacina é o caminho mais seguro para avançarmos no combate à pandemia”, analisou a governadora Fátima Bezerra.

O prefeito Allyson Bezerra, por sua vez, reforçou a necessidade de mais imunizantes para tirar a cidade da pandemia. “Se chegarem 20 mil vacinas hoje a gente aplica, porque temos uma estrutura montada que nos permite que isso aconteça”, afirmou. Ou seja, não há outro meio de enfrentar tamanho problema e a cidade está preparada para enfrentá-lo.

No entanto, em meio às boas notícias, há os ruídos. Na sessão desta do dia 30 de junho, na Câmara Municipal de Mossoró, o vereador Raério Cabeção (PSD) alertou para o fenômeno que vem ocorrendo em algumas cidades e que começa a registrar focos em Mossoró: os “sommeliers de vacinas”, pessoas que imaginam que determinado imunizante seria “melhor” do que outro. E, por esta razão se recusa a receber o imunizante disponível, obstruindo o ritmo de vacinação.

Escrevi sobre isso em meu blog. A preocupação a partir daí é para um provável atraso no processo de imunização da população e o retardo na retomada da vida “normal”.

Enquanto todos não forem imunizados, seja por qual vacinar for, há riscos de mais contágios e mortes e, ao mesmo tempo, de impossibilidade de retorno de serviços essenciais, como escolas, universidades e de lazer, como público em jogos de futebol, por exemplo. São as distorções que surgem em meio a uma luta que é de todos. Não é possível olhar para o fim da pandemia sem empenho comunitário. Somente assim, teremos a melhor das boas notícias: a volta à vida normal.

Por William Robson

Originalmente publicado no jornal Gazeta Potiguar